Sistema de Escrita Alfabética. (SEA)

COMO SE APROPRIAR DO SISTEMA DE ESCRITA ALFABÉTICA (SEA)

Hoje vamos falar sobre um assunto muito
interessante, que muitas pessoas buscam compreender,
sobre como nos apropriamos do sistema de escrita
alfabética. Em geral os professores alfabetizadores se
interessam muito por este assunto, pois sempre possuem
alunos em suas classes com algum tipo de atraso neste
processo.
Quando falamos do sistema de escrita alfabética
primeiro é preciso entender o que isso significa.
A alfabetização não é um processo natural. Para
desenvolver qualquer aprendizagem escolar é necessário
que se tenha uma estratégia, uma metodologia específica
para ensinar e se estamos falando de apropriar de uma
capacidade de alfabetização é preciso ser desenvolvido e
estimulado muitas habilidades e percepções.
Quando falo do sistema de escrita alfabética me
refiro sobre a forma como nós realizamos esse processo

da leitura e da escrita. O sistema de escrita alfabética
precisa ser compreendido por professores e também
pelos alunos. O professor precisa entender esse processo
para ensinar e também para entender como isso se
processa. O aluno, seja criança ou adulto, também
precisa compreender como isso se dá, para assim ir
desvendando esse mistério que acaba se tornando a
escrita e a leitura, as duas caminham sempre juntas.
Um paradigma que é preciso quebrar é que a
escrita vem primeiro que a leitura, isso não é verdade.
Primeiro compreendemos toda a parte de leitura e
consequentemente nós escrevemos, assim a escrita é a
representação de uma compreensão a partir da leitura.
Então o que seria esse sistema de escrita
alfabética? Tudo que escrevemos ou lemos está
fundamentado, inicialmente, a partir de uma produção da
nossa fala, que é silabada, ou seja, silábica, pois falamos
pedacinho por pedacinho das palavras.
Já a escrita, não se processa dessa forma, é feita
de forma alfabética, ou seja, escrevemos letra por letra e
assim fazemos a leitura dessa combinação de letras.

Para compreender como essa escrita se processa
é preciso entender todo esse processo, mas não basta
entender as letras ou seus nomes. No sistema de escrita
alfabética saber o nome da letra não é algo relevante,
porque não é pelo nome da letra que escrevo, pois o
apoio está na sonoridade, na representação que faço do
som que falo, com a letra que escrevo e assim por diante.
Quando falo que é importante se apropriar desse
sistema de escrita alfabética, estou querendo dizer que a
criança precisa compreender o que a fala e sons
representam.
Existem etapas que as crianças precisam passar
para que possam trazer consciência sobre como elas
representam essa escrita. Precisa ser um processo
consciente, elas precisam estar ativas, se descobrindo a
partir de estímulos que são dados a elas. Não é algo que
acontece naturalmente, é preciso de ferramentas para
que possam se apropriar desse significado.
Se a criança deseja escrever uma palavra, por
exemplo, BOLA, é necessário que ela entenda que
quando fala essa palavra, percebe que ela é composta
por letras que são representadas por seus sons. Quando

a criança deseja escrever BOLA e percebe essa
sonoridade ela faz a representação significativa dentro
dessa palavra.
Existem crianças que vão começar a representar o
sistema de escrita alfabética compreendendo a
sonoridade da palavra, por exemplo, BOLA, ela
representará um som para cada sílaba, podendo escrever
O e A ou B e L, assim podemos compreender que ela
está fazendo uma relação da parte sonora com a escrita.
Cada vez que a criança se apropria desse sistema de
escrita, mais se aproxima de uma escrita alfabética, ou
seja, de uma escrita onde consegue representar na
palavra todos os sons que percebeu.
É preciso ter ferramentas para chegar nesse nível,
e isso não acontece de modo natural, é preciso que tenha
compreensão. E assim cada criança vai compreender que
tudo aquilo que escreve precisa primeiro pensar naquilo
que fala. Ela só vai começar a entender esse processo à
medida que dermos a ela um estímulo da consciência
fonológica.
A criança ou o adulto que precisam se apropriar do
sistema de escrita alfabética e de compreender como a

escrita acontece, precisam primeiro entender as palavras
quando se ouve, não precisam ver as letras, e sim é
necessário entender como essas palavras se processam,
compreendendo a palavra que ouve, chamamos isso de
consciência fonológica, que é reflexão sobre os sons da
fala.
Uma criança de dois ou três anos ainda não
entende esse sistema fonológico, apesar de estar
recebendo estímulos, ela possui capacidades em seu
cérebro desenvolvidas pra isso, porém precisa de uma
estimulação para que tenha consciência de todo o
processo. Quando você pede para que ela escreva a
palavra BOLA, ela pode representar esta palavra através
de um desenho, porque é aquilo que está mais próximo
dela. Ela representa a escrita, mas não é uma escrita
alfabética e sim uma escrita pictórica, ela desenhou aquilo
que deseja representar. Essa criança faz isso porque não
compreende a composição da palavra, ainda está presa
no objeto, e não compreende que a palavra não está
ligada ao objeto. Ela ainda não compreender que não é
preciso desenhar, que pode representar esse desenho
escrevendo, usando letras e isso acontece porque ela

ainda não dominou essa habilidade de compreender os
sons da fala, por isso representa dessa forma.
Outra forma de representação de uma criança que
ainda não compreende o sistema de escrita alfabética, é
representar a palavra BOLA com muitas letras e ligamos
isso ao que Emília Ferreiro fala sobre os níveis de escrita.
Isso acontece porque, para avançar nos níveis de escrita
a criança precisa se apropriar do sistema de escrita
alfabética, precisa entender isso e só vai acontecer se for
estimulada na consciência fonológica. Saber estimular a
consciência fonológica é imprescindível para todo o
processo de alfabetização.
É muito importante a escolha de uma metodologia
que de enfoque no fonológico, na percepção auditiva
dessas palavras.
A consciência fonológica é um conteúdo que não
se aprende na formação de professores, por mais que os
estudos estejam cada vez mais atualizados. Não é um
assunto novo, talvez hoje pelos meios de comunicação e
pela facilidade das pesquisas seja algo mais falado.

Há muito tempo já se falava da importância dessa
percepção, da relação do que eu escuto com o que falo e
daquilo que escrevo com o que leio.
Estimular a consciência fonológica é base para a
apropriação do sistema de escrita alfabética.
A Consciência fonológica leva a criança a refletir
sobre os componentes sonoros da fala e as palavras
faladas. Os componentes de uma palavra são suas
sílabas, letras, os sons das sílabas e das letras, os sons
iniciais e finais que se repetem em outras palavras, sejam
eles através das rimas, das aliterações, a tonicidade, os
sons do meio da palavra que se repete com a outra e as
palavras que estão dentro de outras palavras. A criança
precisa desenvolver essa capacidade, porém precisa
estar sendo estimulada constantemente. Se essa
capacidade não for estimulada como é preciso, a criança
pode até chegar a se alfabetizar, mas não será uma
alfabetização com compreensão, ela não irá compreender
de fato todo o sistema de escrita alfabético.
Uma criança chegou ao meu consultório e me
disse que conseguia escrever muitas palavras e pelo que
vi em seu caderno ela sabia mesmo. Ela escreveu para

mim várias palavras, e me disse que escreveria CAMA,
porém ela escreveu MACA. Isso aconteceu porque ela se
lembrou, visualizou e memorizou as sílabas que
compõem a palavra CAMA, mas ela não sabia da
importância da ordem em que aparecia, ou seja, em uma
mesma ordem. Ela sabia escrever por memória e não por
compreensão do que aquilo significava, do que os
componentes das palavras significavam. Assim percebe-
se que ela compreendia que precisa de uma sequência
de letras para escrever uma palavra, não bastava ter
essas letras, precisava de uma sequência e não poderia
faltar nenhuma letra.
Toda essa composição da palavra é apropriada a
partir de uma estimulação de consciência fonológica, que
irá melhorar a sua compreensão leitora e
consequentemente sua compreensão escrita.
Para uma criança chegar a essa apropriação ela
precisa de um antecedente que é a consciência
fonológica.
Uma sugestão de atividade para estimular a
consciência fonológica é através de parlendas e músicas.
A criança entende as palavras que ela está interagindo,

faz a observação daquelas que se repetem e consegue
distinguir quais são, à medida que ela pensa dessa
maneira você, enquanto professor está sistematizando
um trabalho com foco na consciência das palavras, na
oralidade que fará com que ela perceba os sons
presentes e consequentemente possa identificar as letras
e fazer os registros.
Existem etapas na consciência fonológica que
precisam de estimulações específicas para que o
desenvolvimento aconteça.
As várias pesquisas realizadas dentro da
neurociência estão comprovando que para ter um
sucesso maior na alfabetização é necessário um trabalho
voltado para a letra e o som, porque a base está na
relação com a escrita e com a fala.
A criança precisa entender o valor sonoro das
letras e como elas se comportam nas sílabas e nas
palavras, em seu uso, nunca de forma isolada, numa letra
ou no som de uma letra isoladamente, porque recitar sons
de letras não garante alfabetização. Tudo isso precisa ser
percebido dentro de um contexto.

Existe um cuidado muito grande que precisamos
ter em relação à escolha da metodologia que irá conduzir
esse trabalho, a consciência fonológica e a interpretação
desse som é que vão levar a um sistema de escrita
alfabética.
Falar nome de letra não conduz a criança para a
alfabetização, isso precisa ficar claro, é preciso ter
compreensão da consciência fonológica, precisa está
arraigado em cada profissional, porque é isso que fará
com que a criança entenda, por exemplo, a diferença de
uma palavra para outra.
Existem crianças que sabem escrever JANELA,
mas não sabem escrever PANELA, e se você pergunta o
que mudou ela não é capaz de dizer, por isso faz se
necessário um trabalho de consciência fonológica antes,
para que elas possam alcançar o sistema de escrita
alfabética.
Saber nome de letra, recitar o alfabeto não leva
ninguém a se alfabetizar. Muitas crianças sabem todas as
letras do alfabeto, porém não sabem escrever nenhuma
palavra, sem o apoio do professor falando o nome da
letra, é algo emergencial que precisa ser aprendido.

A fonoarticulação é muito importante para auxiliar
na compreensão da consciência fonológica no nível do
fonema e isso acaba trazendo mais uma ferramenta para
desenvolver este trabalho.

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